30.6.05




haiku para uma tarde morna


dias são feitos de horas
horas são de minutos
minutos são feitos de agoras.



coisas da JAMILA MAIA - 3:24 PM

E fez-se o verbo:

_________________________________________________

13.6.05




ANDO

Não ando mais desligada, como o nome do blog indica (numa péssima tradução português/inglês feita pela revista Rolling Stone, pra quem nunca entendeu a piada :D).




Ando feliz, plena com as coisas que a vida me dá e com o meu esforço pra retribuir esse bem todo pro mundo.

Ando com passos decididos, sem nenhuma certeza sobre onde vou chegar - mas com uma estrela-guia no céu a reger meu caminhar.

Ando pisando na cabeça de uns medões que eu tinha e tenho. Ainda não matei nenhum deles, mas as mudanças já se anunciam, desabrochando na minha cadência.

Ando feliz com quem estou virando, e a cada dia não sou mais a de ontem.

Eu ando, simplesmente.

* * *


Post inspirado por "Sun in my mouth", poema do E.E. Cummings musicado por Björk e Guy Sigsworth:



I will wade out till my thighs
Are steeped in burning flowers
I will take the sun in my mouth
And leap into the ripe air alive
With closed eyes
To dash against darkness
in the sleeping curves of my body
I shall enter fingers of smooth mastery
With chasteness of seagulls
Will I complete the mystery of my flesh.



("Eu caminharei para longe até que minhas coxas/Estejam imersas em flores ardentes/Pegarei o sol na minha boca/E saltarei no ar maduro, vivo/De olhos fechados/Para açoitar a escuridão/Nas curvas dormentes do meu corpo/Penetrarei com dedos de suave domínio/Com a castidade de gaivotas/Completarei o mistério da minha carne.")

coisas da JAMILA MAIA - 2:13 AM

E fez-se o verbo:

_________________________________________________

2.6.05





GOTÍCULA DE SATORI

Eu caminhava por uma rua escura quando senti o cheiro da dama-da-noite, sem ver o pé de onde ele emanava. Sorri.
Um minuto depois, passou um caminhão de lixo, fétido e servil.
Aí eu entendi que tudo no mundo está certo, em seu devido lugar.

coisas da JAMILA MAIA - 12:57 AM

E fez-se o verbo:

_________________________________________________

22.5.05





PÍLULA DO DIA DE HOJE
bobangenzinhas do amor e caras que ele pode ter



* Ninguém é feio sorrindo de amor.


* A doçura do sorriso das minhas avós mareja meus olhos. É um amor tão purinho e antigo que a gente se envergonha das coisas bestas que nos roubam tantos dias.


* Ágape. Tão raro. Tão proparoxítono.


* Um calor elétrico que pusa do meio do peito até as pontas dos dedos, como um choque que acaricia e faz cócegas - e querem dar nome para isso


* Tentando amar ao próximo, ao irmão distante e a mim mesma, meu coração envereda por caminhos às vezes cheios de enganos, ilusões e equívocos. Mesmo com joelhos ralados, eu marcho.


* O amor moderado e constante vive satisfeito nas coisinhas mundanas de tantos hojes. No entanto, ele também anseia pelo inesperado, por arroubos e surpresinhas transbordantes de afeto. Só pro coração disparar um pouquinho às vezes, sabe?


coisas da JAMILA MAIA - 12:19 AM

E fez-se o verbo:

_________________________________________________

3.5.05






vocação



se não posso, espero ou transformo, calada.
se não vejo, toco com as pontas dos dedos, extensões do coração.
se temo, respiro e rezo... os pés abraçando a terra em seus espaços.

se não tenho, fecho os olhos, para nascer na minha mão.
se não quero, cravo minha vontade como flor em árido chão. levo segundos, ou séculos.
se não sou, às vezes finjo. (e quem não?)

mas se não canto... agonizo nas frestas dos dias, no vácuo da quietude indesejada.
se não canto, sou apenas infrassom.
de mim mesma infração.


(...)
porque se a vida é melodia, eu moro no refrão.



coisas da JAMILA MAIA - 12:42 AM

E fez-se o verbo:

_________________________________________________

14.4.05


CASA













Minhas cores e contrastes vibrando, por todos os lados.

coisas da JAMILA MAIA - 10:25 PM

E fez-se o verbo:

_________________________________________________

7.4.05





Por três dias e três noites
Chorei como deusa egípcia
Acocorada sobre a areia.

Depois, durante uma semana
Verti quarenta mil lágrimas atlantes -
Do olho direito descia mel, do esquerdo escorria sangue.

Esmurrei meu peito de princesa africana
Num lamento infrassônico
Que rachou minhas costelas por dois séculos.

Uma era astrológica depois
Encontrei botões de rosa e diamantes
No chão que meus olhos regaram.

Germinares silentes:
é assim que Deus me explica seus porquês.

coisas da JAMILA MAIA - 3:38 PM

E fez-se o verbo:

_________________________________________________

5.4.05




A SONDA NASOGÁSTRICA QUE PROLONGA A VIDA DAS COISAS


- O que é que o papa e Terri Schiavo têm em comum?
- Hum, suas mortes causaram comoção mundial?
Sim, tá bom. Mas ambos foram em algum momento alimentados por um tubo que ia de suas narinas até o estômago, e é disso que eu quero falar hoje. Nos últimos dias, esse tímido aparato da medicina moderna foi, de certa forma, protagonista de duas histórias diferentes, mas que me trouxeram lições interessantes.


CASO #1: Terri Schiavo

A remoção da sonda de Terri mexeu com os brios de muita gente. Abriu espaço pra demagogos, fanáticos, religiosos, intelectuais e gente desocupada darem seus pitacos sobre eutanásia. Mais que isso: num raro episódio, houve real ação dentro desse debate tão controverso.
Permitir que alguém em estado terminal/vegetativo se vá é um gesto de generosidade ou covardia? Não sei.

O fim de Terri me pareceu honesto e digno, um alívio. Uma máquina prolongava sua existência (se eu quiser dar uma de cartesiana, vou ter que rever essa frase, hahaha) e deixá-la ir foi de alguma forma um exercício de desapego e uma chance para um pensamento novo.


CASO #2: o Papa, Sr. Karol Wojtyla

A sonda foi um dos últimos recursos usados por médicos nas tentativas de salvar o papa, que não falava nem comia sozinho em seus dias derradeiros. Não bem o prolongamento de uma agonia, mas uma chance para quem não parecia ter muitas mesmo. Nem por isso deixou-se de tentar - e isso é muito nobre.



Depois olhei para as coisas que estão murchando, desvanecendo-se na minha vida, dentro e fora de mim. Preciso de bom senso, de força, de intuição, inteligência e, acima de tudo, de fé para escolher quais delas merecem uma sonda, a chance da sobrevida - para dar certo ou não. Ah, sim: muita paciência para ver que rumo cada uma delas vai tomar.


As outras, bem... Outras coisas precisam morrer mesmo, para que haja reflexão, para que novas alternativas tenham uma oportunidade, para que sopre a renovação. Apesar de as crianças de agora serem os velhos de ontem, que coisa maluca.


Eu aqui, no meu leito muito azul, aguardo.

coisas da JAMILA MAIA - 9:51 PM

E fez-se o verbo:

_________________________________________________

29.3.05





Era uma cefaléia pra Minerva nascer de novo
Mas foi bem quando eu ouvi o escuro
E vi o silêncio do mato, soberanos como seu rei.
Com os sete orifícios da minha cabeça
Eu comi a noite.


coisas da JAMILA MAIA - 3:58 PM

E fez-se o verbo:

_________________________________________________








coisas da JAMILA MAIA - 3:58 PM

E fez-se o verbo:

_________________________________________________

JAMILA MAIA
23 primaveras/cor-de-flicts/brasileira
superior incompleto, dane-se
solteira que não reclama
cantora e professora particular
fazendo yoga



Fale com ela


[ os blogs dos outros ]


::Essência Interior::

.:Quero ser Jeanne Moreau:.

::Colher::

::24 HOUR PARTY PEOPLE!::

::groselha descontrol::

::Trash it up::

::Sangue de Bairro::

::Motel do Inferno::

::Fulerus Filmes::

::O Mundo Muderno::

::Agreste::

::Meio Ambiente Urgente::

::Mudança de Ventos::

::Tábua de Marés::

::Vindaloo::

.:NimbyPolis:.

.:Folha Caída:.

.:Balaio Vermelho:.

.:Ofícios do Ócio:.

.:Trilha Sonora:.

.:Olha aqui!:.

.:policromia:.

.:Fator C.a.o.s:.

.:Em Processo:.



[ sites ]

Yoga Tradicional

Compre o CD de uma das minhas bandas AQUI!

The Perry Bible Fellowship

The Brick Testament

DFilm Moviemaker!

PEA - Projeto Esperança Animal

Adote um gatinho

Kiss this Guy

Museu da Pessoa

SPTrans



Arquivo


Créditos